Sou nutricionista e fui estudar nutrição infantil

28/02/2020 2 Por Daniela Foltran

Olá, me chamo Juliana e sou nutricionista formada em 2014 pela Universidade Nove de Julho. Atualmente faço pós graduação em Nutrição Vegetariana pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

Em 2016 me casei e em 2017 me tornei mãe do Afonso e, desde então, minha vida mudou completamente. Inclusive minha carreira, que precisou ser deixada de lado um pouco para me dedicar em tempo integral à maternidade.

Desde que me formei trabalhei em restaurantes como consultora em controle de qualidade e, posteriormente, em hospitais como nutricionista clínica, que sempre foi o que me deixava mais feliz e completa.

Quando meu bebê tinha uns 4 meses e a introdução alimentar estava batendo em nossa porta, comecei e pesquisar e percebi que muita coisa que eu aprendi na faculdade estava defasado e eu não entendia absolutamente NADA de nutrição infantil! 😭 
Senti a obrigação de ter conhecimento atualizado pra poder dar o melhor ao meu filho.

Então, eu fiz o que estava ao meu alcance físico (tendo em vista que eu tinha um bebê de 5 meses na época, que mamava em livre demanda e que nunca tinha ficado longe da mãe) e também que cabia no orçamento da família de um salário só.

Escolhi um curso rápido de nutrição infantil na USP de um dia inteiro.

E esse curso abriu minha mente, tive palestrantes ótimas, super atualizadas no mundo da nutrição infantil, conheci o BLW de fato naquele dia. Já tinha o visto na internet, mas nada como ver profissionais que aplicam a técnica diariamente com seus mini pacientes, falando com todas as letras que é possível!

Após o curso eu também comprei livros que me ajudaram na prática do dia-a-dia; pesquisei muito também em sites e fontes confiáveis.

Voltei pra casa confiante e segura de que sem dúvidas eu queria que meu filho tivesse a melhor relação com a comida, que ele pudesse explorar, sentir o cheiro, a textura e o gosto dos alimentos e, com certeza, o BLW e a introdução alimentar participativa (falarei das diferenças em um próximo texto sobre nutrição infantil) seriam nossos aliados nessa nova fase. 

Os seis meses chegaram e Afonso estava desenvolvendo bem os sinais de prontidão e decidimos (eu e o pai dele) que iríamos começar aos poucos até que ele estivesse com todos os sinais bem claros.

E assim, num sábado a tarde, Afonso provou sua primeira manga (verde kkkk) e foi uma experiência linda!

Ele se lambuzou até os cabelos, comeu (me surpreendeu, achei que não fosse comer), explorou muito e se divertiu também. Depois desse dia eu percebi que ele estava de fato pronto e, no dia seguinte, fizemos aquela feira caprichada.

Comprei coisas que nem comíamos em casa porque eu queria que ele conhecesse todos os alimentos possíveis (dentro do reino vegetal, pois somos todos vegetarianos em casa). E assim foi, tivemos dias em que ele comia tudo que eu oferecia, pedia mais e ainda mamava. E dias em que ele só explorava passava no cabelo, jogava no chão e mamava muito sempre. E tudo bem, sempre cresceu e se desenvolveu dentro do esperado.

Tenho sempre em mente que a nossa obrigação como cuidadores é oferecer os alimentos, de preferência in natura no início, e a função dos bebês é regular o quanto devem comer.

Do mesmo jeito que eles mamam o quanto acham suficiente, devemos respeitar o quanto querem comer também. 


Hoje estamos há quase 3 anos juntos e a fase de seletividade já dura um tempo e digo a vocês: não é fácil!

Mas como a introdução alimentar dele foi toda baseada em alimentos de verdade, a seleção dele é entre arroz, feijão, batata e banana (por exemplo). Tem dias que aceita um macarrão ao molho lentilhesa (bolonhesa de lentilha) com uns legumes no vapor. E assim seguimos, na alimentação e na amamentação. 

Espero com meus textos inspirar e ajudar pais, mães e cuidadores a fazerem uma introdução alimentar leve para todos, sem terrorismo nutricional, sem neuras e com muito amor e acolhimento ❤️🌱

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Juliana é colaboradora do blog, escreve sobre nutrição infantil e alimentação vegetariana. Acompanhe a série de posts da Nutricionista Juliana Tavares clicando na tag jutavares